Cada vez mais presente nos projetos de decoração de interiores no Brasil, o estilo Hygge se consolida como uma resposta sensível ao ritmo acelerado da vida urbana. De origem dinamarquesa, a filosofia propõe transformar a casa em um verdadeiro refúgio, onde conforto, simplicidade e experiências sensoriais caminham lado a lado. À frente de projetos que traduzem essa essência, a arquiteta Cinthia Claro explica como aplicar o conceito de forma prática, elegante e atemporal.

Mais do que uma tendência estética, o Hygge representa uma maneira de viver. “Na arquitetura de interiores, ele aparece como uma proposta de elevar o tempo de qualidade dos moradores, estimulando pausas, conexão e bem-estar dentro de casa”, afirma Cinthia. A abordagem valoriza escolhas conscientes, materiais naturais, iluminação acolhedora e uma atmosfera que convida à permanência.
A luz natural é um dos pilares do estilo. Amplas janelas, esquadrias generosas e cortinas leves permitem que a iluminação natural atravesse os ambientes ao longo do dia, enquanto o verde do paisagismo externo passa a integrar o décor como um quadro vivo. À noite, o projeto luminotécnico ganha protagonismo com abajures, pendentes, luminárias e velas, responsáveis por criar cenas intimistas e acolhedoras.
Outro ponto central do Hygge é a experiência sensorial. Texturas como madeira, pedra, lã, linho e couro despertam o tato e reforçam a sensação de conforto. “Gosto de trabalhar com materiais que tragam autenticidade e aconchego, criando ambientes que sejam agradáveis não apenas ao olhar, mas ao sentir”, explica a arquiteta. Tapetes, estofados macios e móveis com acabamento artesanal cumprem esse papel com leveza e sofisticação.
As plantas também ocupam lugar de destaque. Além de adicionarem vida e cor aos ambientes, contribuem para a conexão com a natureza, princípio fundamental do Hygge e da arquitetura biofílica. “É importante avaliar a incidência de luz e o espaço disponível para escolher as espécies certas, garantindo harmonia e longevidade”, orienta Cinthia.

A memória afetiva completa a narrativa dos projetos. Fotografias, objetos herdados, lembranças de viagens, livros e obras de arte ajudam a contar a história de quem vive ali. Esses elementos pessoais tornam o espaço único, reforçam o sentimento de pertencimento e imprimem identidade ao projeto de interiores.

Na paleta de cores, predominam tons neutros e suaves como off-white, bege, areia e cinzas claros. Essas nuances ampliam a sensação de serenidade e criam uma base visual equilibrada para os demais elementos. “A paleta neutra é um dos caminhos mais eficazes para transmitir tranquilidade e acolhimento dentro de casa”, destaca a arquiteta.

Por fim, a organização e a simplicidade são essenciais. O Hygge valoriza o essencial e propõe ambientes livres de excessos visuais, onde cada objeto tem função e significado. “A simplicidade permite que o olhar descanse e que o ambiente permaneça convidativo no dia a dia”, conclui Cinthia Claro.

Ao unir estética, conforto e significado, o estilo Hygge reafirma a casa como um espaço de bem-estar emocional e físico — um verdadeiro abrigo contemporâneo onde viver bem é prioridade.
Fotos: Erika Waldmann
Sobre a arquiteta Cinthia Claro: Formada em design de interiores pela Escola Panamericana de Artes e, posteriormente em Arquitetura e Urbanismo, Cinthia Claro comanda seu escritório homônimo com atuação voltada para a execução de projetos de arquitetura residencial, design de interiores e comercial. Como características do trabalho realizado por ela e sua equipe, prevalecem o respeito ao perfil do cliente, de forma a suprir todas as suas necessidades e particularidades. Os projetos são realizados de forma personalizada, priorizando relações entre estética e soluções técnicas, criatividade e excelente custo x benefício.
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