A cena da arquitetura e do design brasileiro ganha um novo capítulo em São Paulo com a abertura da exposição “Ruy Ohtake – Percursos do habitar”, mostra que inaugura uma nova fase da histórica Casa-ateliê Tomie Ohtake, no bairro do Campo Belo. Integrado à programação do Instituto Tomie Ohtake, o espaço passa a atuar como um polo cultural dedicado à arquitetura, ao design de interiores e às artes contemporâneas, reforçando sua relevância no cenário criativo nacional.
Com curadoria de Catalina Bergues e Sabrina Fontenele, a exposição apresenta um recorte consistente da produção residencial de Ruy Ohtake, reunindo seis projetos emblemáticos desenvolvidos entre as décadas de 1960 e 2010. Mais do que uma retrospectiva, a mostra propõe uma reflexão profunda sobre o conceito de habitar, colocando a casa como núcleo da vida social, da memória afetiva e das transformações do cotidiano.

Residência Domingos Bras / Foto: divulgação
Entre os destaques estão cinco residências unifamiliares — incluindo a própria Casa-ateliê Tomie Ohtake (1966), além das casas Chiyo Hama (1967), Nadir Zacarias (1970), Domingos Brás (1989) e Zuleika Halpern (2004) — e o icônico Condomínio Residencial Heliópolis (2008/2009), conhecido como “Redondinhos”. Juntos, esses projetos revelam a evolução de um pensamento arquitetônico que rompe com padrões tradicionais ao priorizar espaços coletivos e experiências compartilhadas.

Residência Chyo Hama / Foto: José Moscardi
O conceito de “casa-praça”, central na obra de Ohtake, ganha protagonismo na narrativa expositiva. Nele, as áreas sociais são amplificadas e valorizadas, enquanto os ambientes íntimos são reduzidos ao essencial. A luz natural assume papel estruturante, conduzindo o percurso pelos espaços e criando uma dinâmica sensorial que integra interior e exterior, em diálogo constante com jardins e aberturas estratégicas.
A exposição também se destaca pelo caráter imersivo e documental. Maquetes detalhadas, desenhos técnicos, croquis originais e fotografias — tanto históricas quanto contemporâneas — permitem compreender os processos criativos e as transformações dessas obras ao longo do tempo. Complementando essa experiência, vídeos com depoimentos de moradores revelam o impacto dessas arquiteturas na vida cotidiana, evidenciando como os espaços projetados por Ohtake estimulam convivência, pertencimento e identidade.

Residência Zuleika Halpern / Foto: Tuca Reines
O projeto de Heliópolis amplia essa discussão ao abordar a habitação em escala urbana. A atuação de Ruy Ohtake na comunidade reforça seu compromisso com a arquitetura como ferramenta de inclusão social, destacando a importância de espaços públicos de qualidade. Depoimentos de lideranças locais presentes na mostra reforçam essa dimensão coletiva do habitar, conectando arquitetura, cidade e cidadania.
Casa-ateliê Tomie Ohtake: patrimônio vivo da arquitetura brasileira
Mais do que cenário da exposição, a Casa-ateliê Tomie Ohtake assume um novo papel institucional ao ser incorporada à programação cultural do Instituto Tomie Ohtake. Projetada pelo próprio Ruy Ohtake, a residência foi durante mais de quatro décadas o espaço de vida e criação da artista Tomie Ohtake, consolidando-se como um marco da arquitetura moderna paulistana.

Foto: Nelson Kon
Reconhecida como patrimônio da cidade e premiada pelo Instituto de Arquitetos do Brasil, a casa traduz, em sua essência, o conceito de convivência ampliada. Seus ambientes generosos e integrados foram concebidos como uma verdadeira “praça coberta”, antecipando discussões contemporâneas sobre arquitetura afetiva, fluidez espacial e design centrado nas relações humanas.
Agora, ao ser reativada como espaço cultural, a Casa-ateliê reforça sua vocação para o encontro e a experimentação. A nova programação prevê exposições, oficinas, encontros e atividades multidisciplinares, consolidando o local como um laboratório vivo de ideias e práticas no campo da arquitetura e do design de interiores.
Ao reunir memória, inovação e reflexão crítica, “Ruy Ohtake – Percursos do habitar” não apenas celebra a obra de um dos grandes nomes da arquitetura brasileira, mas também convida o público a repensar o modo como vivemos e ocupamos nossos espaços. Uma exposição essencial para quem busca inspiração, repertório e novas perspectivas sobre o morar contemporâneo.
Ruy Ohtake – Percursos do habitar
Local: Casa-ateliê Tomie Ohtake
Rua Antônio de Macedo Soares, 1800 – Campo Belo – São Paulo – SP
Horário de funcionamento: quinta a domingo, das 10h às 17h
Período: 7 de março a 31 de maio de 2026
Curadoria: Catalina Bergues e Sabrina Fontenele
Realização: Instituto Tomie Ohtake
Ingresso: R$ 50,00 – Meia-entrada: estudantes, pessoas com 60 anos ou mais e professores (mediante apresentação de comprovante no ato da compra e na entrada da Casa-ateliê); clientes Nubank (mediante apresentação do cartão).
Gratuidade: Amigos Tomie (mediante apresentação de carteirinha e documento com foto); clientes Nubank Ultravioleta (mediante apresentação do cartão); pessoas com deficiência (com direito a um acompanhante); crianças com idade igual ou inferior a 10 anos (mediante apresentação de documento de identidade); e portadores de cartão ICOM.
As gratuidades e cortesias devem ser solicitadas na plataforma de ingressos.
Instituto Tomie Ohtake
Avenida Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropé, 88) – Pinheiros – São Paulo – SP
Metrô mais próximo: Estação Faria Lima/Linha 4 – Amarela
Telefone: 11 2245 1900
Site: institutotomieohtake.org.br
Facebook: facebook.com/inst.tomie.ohtake
Instagram: @institutotomieohtake
Youtube: https://www.youtube.com/@
Loja: www.lojatomie.org.br
Foto de capa: Conjunto Residencial de Heliopolis / Foto: Cristiano Mascaro
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