A revolução da brasilidade: a poética de Tarsila do Amaral inaugura o novo centro cultural do Nubank em SP

Há algo de profundamente fascinante no encontro entre o patrimônio das artes visuais e a arquitetura corporativa contemporânea quando esta se propõe a ser genuinamente atual. A abertura do novo espaço cultural do Nubank na capital paulista não poderia ter um marco inaugural mais emblemático: uma imersão sensorial pela obra monumental de Tarsila do Amaral, figura central do Modernismo brasileiro que redefiniu a nossa identidade visual no início do século XX.

Sob a ótica do jornalismo de decoração e arquitetura, a mostra de 1.300 m² transcende a mera exibição contemplativa. Trata-se de uma verdadeira lição de expografia e design de experiência, onde a luz, o som, o perfume e a materialidade se articulam para aproximar o Modernismo brasileiro tanto dos profissionais do design quanto dos entusiastas do morar bem.

O Espaço: Minimalismo tecnológico encontra o calor da brasilidade

O projeto do Nubank Arte Lab surpreende já na chegada ao Conjunto Nacional. Afastando-se da estética fria e puramente corporativa, a arquitetura interior prioriza a fluidez, a amplitude e a integração contínua entre os ambientes.

O contraste entre as linhas limpas de inspiração brutalista-contemporânea, com concreto aparente, marcenaria em tons quentes e acabamentos em metal escovado, e o universo lírico de Tarsila estabelece um diálogo visual de refinamento ímpar. Os espaços de circulação foram desenhados para desacelerar o ritmo frenético da metrópole, convidando o visitante a uma experiência de permanência e contemplação.

O que está conquistando a atenção do público: Imersão multissensorial

A jornada expográfica foi organizada em um circuito fluido que percorre as diferentes fases de Tarsila, combinando alta tecnologia, instalações cenográficas e estímulos olfativos e sonoros:

  • A Sala de Espelhos com Painel de LED (Fase Pau-Brasil): É o primeiro grande impacto visual. Um painel de LED de 84 m² combinado a teto e paredes espelhados projeta obras como Religião Brasileira e Manacá, duplicando as formas e cores ao infinito e criando um ambiente hipnotizante.

  • A Floresta Tarsiliana e a Experiência Olfativa: A fusão entre cenografia e design biofílico recria a vegetação das telas antropofágicas (Floresta, Cartão-Postal e Idílio). O ambiente conta com som surround (coaxar de sapos e cantos de aves), borrifadores automáticos com aroma suave de jasmim e uma concorrida piscina de bolinhas verdes.

  • Projeção 180° e o Abaporu Gigante: Em uma das salas imersivas, animações de obras emblemáticas — como O Sapo, A Cuca e o próprio Abaporu — ganham vida em um filme envolvente. Na sequência, a escultura tridimensional em grande escala do Abaporu consolida-se como o principal ponto de convergência do público.

  • Interatividade na Sala “Operários”: Homenageando a fase social da artista, o espaço traz uma instalação interativa onde o visitante aciona uma manivela para revelar a tela e pode “bater ponto” em uma máquina antiga para ter sua foto incorporada digitalmente à multidão da obra.

  • Espaço Contemplativo “A Lua”: Para desacelerar o ritmo, a projeção da obra A Lua toma uma sala serena com iluminação sutil e bancos estofados em formato de pedra, convidando à pausa e à reflexão.

Integração com o Morar e Design Autoral

A experiência dialoga intimamente com o design de interiores. A paleta de cores do espaço usa tons neutros e areia como tela de fundo para destacar o azul-mamarrosa, o amarelo-girassol e o verde-paz de Tarsila. A iluminação pontual com LEDs de alta fidelidade cromática valoriza a escala das projeções e detalhes das obras.

Entre os ambientes, bancos de linhas orgânicas assinados por grandes nomes do design brasileiro contemporâneo pontuam a circulação, enquanto jardins com espécies nativas da Mata Atlântica estabelecem uma ponte poética entre o paisagismo biofílico e a brasilidade modernista.

Exposição “O Brasil de Tarsila”

Nubank Arte Lab (Av. Paulista, 2073 – 1º andar, Cerqueira César, São Paulo – SP)

Em cartaz até 31 de outubro de 2026

De quarta a segunda-feira, das 10h às 22h (última entrada às 21h). Fechado às terças-feiras.

Duração média do circuito: Cerca de 45 a 60 minutos

Acessibilidade: Recursos disponíveis via Web App UMPRATODOS (audiodescrição e Libras)

Ingressos:

Segunda, quarta, quinta e sexta-feira: R$ 80,00 (Inteira) | R$ 40,00 (Meia-entrada)

Sábado, domingo e feriados: R$ 100,00 (Inteira) | R$ 50,00 (Meia-entrada)

Benefício Nubank: Clientes que efetuarem a compra com cartões do banco garantem 35% de desconto em 1 ingresso.

Lote Popular: Opções a partir de R$ 25,00 (meia) e R$ 50,00 (inteira).

Vendas online: Plataforma oficial Fever (feverup.com)

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Maria Cláudia Aravecchia Klein

Maria Cláudia é jornalista, mentora de Marketing de Conteúdo e especialista em Casa & Decor. Atua com publieditoriais, consultorias e produção de conteúdo desde 1997. Fundadora da Revista Vida Prática, é colunista em portais do setor e referência em conectar marcas ao público com autenticidade e propósito.