Um dos espaços mais simbólicos da CASACOR São Paulo 2026, a instalação Pirasesá Olho de Peixe, concebida pelo arquiteto Hugo Ribas, responsável pelo projeto do Museu das Culturas Indígenas, encerra o percurso da mostra com uma experiência que une paisagismo, arte e ancestralidade. Implantado em uma área verde de 139 m², o ambiente foi pensado como um espaço de contemplação e convivência, reforçando a conexão entre arquitetura e natureza.

Além de marcar o desfecho da visita à mostra, a instalação se transforma em um importante ponto de encontro. É ali que acontecerão as rodas de conversa promovidas pelo Museu das Culturas Indígenas, instituição parceira da CASACOR e vizinha do Parque da Água Branca. A proposta fortalece o diálogo entre saberes tradicionais e contemporâneos, ampliando a dimensão cultural da exposição.
Elevado do solo, o deque de madeira percorre delicadamente as 20 árvores existentes no terreno, preservadas integralmente em respeito às diretrizes ambientais do parque. Ao longo do percurso, recantos de descanso convidam o visitante a desacelerar e apreciar a paisagem. Os móveis exclusivos criados pelo arquiteto e designer Paulo Alves, reconhecido pelo trabalho com a madeira, reforçam a atmosfera acolhedora do espaço.

A paisagista Maura Lima, colaboradora do projeto, complementa a composição com vasos de bambu-mossô e bambu-de-jardim, que funcionam como molduras naturais para as obras de arte indígenas. Entre os destaques estão as pinturas inéditas da artista visual Auá Mendes, cuja produção estabelece uma conexão poética entre tradição e contemporaneidade.

A narrativa do ambiente se completa com os pequenos bancos produzidos pelo artesão indígena Waxamani Mehinako, esculpidos manualmente em troncos de piranheira e jatobá no Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso. As peças representam a valorização crescente do design indígena brasileiro e evidenciam a força de um conhecimento transmitido entre gerações.

Mais do que uma instalação paisagística, Pirasesá Olho de Peixe se apresenta como um manifesto em favor da preservação ambiental, da memória cultural e do reconhecimento das expressões artísticas dos povos originários. Um cenário que traduz perfeitamente o espírito da CASACOR São Paulo 2026 ao promover encontros, reflexões e novas formas de habitar o mundo.
Fotos: Roberta Gewehr
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