Amanhã, 10 de julho, das 14h30 às 17h, o Café Doce Arte recebe Marcia Holland num workshop para falar do tema Neurodesign: o design multissensorial para arquitetos e designers de interiores. O Pocket Workshop é uma experiência imersiva de 2h30. O objetivo é apresentar, de forma prática e interativa, conceitos inovadores de neurociência aplicada ao design de interiores e arquitetura, com foco na experiência sensorial do CMF.
O workshop proporcionará aos participantes — arquitetos, designers, decoradores e estudantes — vivências que estimulam a criatividade, explorando a relação entre percepção, emoção e funcionalidade nos projetos. Os diferenciais incluem uma curadoria exclusiva de materiais alinhada às tendências da CASACOR, uso da metodologia SAGAH (Selecionar, Analisar, Gerar, Aplicar e Harmonizar) e uma jornada sensorial que envolve tato, visão e emoção. Cada participante receberá um leque de cores da Tintas Coral, que apoia o evento, e outros materiais complementares.
Para participar é necessário se inscrever no link:
A CASACOR São Paulo 2025 não é apenas uma vitrine de tendências; é um laboratório vivo de neurodesign, onde a cor, a materialidade e o acabamento se unem para criar experiências cognitivas, sensoriais e culturais profundas. Em uma visita minuciosa aos 73 ambientes da mostra, a Dra. Marcia Holland, mestre e doutora em arquitetura e urbanismo com especialização em Neurociências, nos revela como cada espaço é cuidadosamente orquestrado para provocar respostas emocionais e comportamentais nos visitantes.
“A mostra não apenas apresenta tendências estéticas, mas materializa conceitos neurocientíficos fundamentais sobre percepção, emoção e memória, transformando cada ambiente em um experimento perceptivo, emocional e cognitivo”, explica Holland. A edição, que está em exposição até 3 de agosto no Parque da Água Branca, é um exemplo avançado da aplicação dos princípios de CMF (Cor, Material, Acabamento) e Neurodesign, configurando-se como um verdadeiro estudo de caso em percepção, cognição e experiência emocional no espaço construído.
Tendências Reveladas: Uma Jornada Pelos Sentidos
Marcia Holland identificou nove tendências que convidam o visitante a mergulhar nos ambientes e vivenciá-los em sua plenitude.
Cor como Vetor Narrativo e Emocional: Despertando Respostas Profundas
A temática “Semear Sonhos” é traduzida em escolhas cromáticas que vão além da estética. Na Casa Coral, de Maurício Arruda, as cores inspiradas na flora da Mata Atlântica do Parque da Água Branca criam uma conexão direta com a memória coletiva, reforçando a ligação entre cor, território e história. Marcia Holland ressalta que essas cores ativam gatilhos emocionais e sensoriais associados a experiências prévias dos visitantes.

Casa Coral, de Maurício Arruda usa cores que fazem conexão direta com memória coletiva. Créditos: Denilson Machado
Solução Prática: O conceito de “color priming” é amplamente explorado aqui. Espaços como o Café com Tempo (Daniela Andrade), Loft Alvorá (Paula Neder) e o Recanto de Histórias e Cores (Daniela Funari), com seus tons de rosa seco e verde floresta, induzem sensações de acolhimento, calma e otimismo. Essa técnica pode ser facilmente replicada em sua casa para criar ambientes que promovam bem-estar. Quer um quarto relaxante? Opte por tons de azul ou verde suaves. Precisa de energia na cozinha? Toques de laranja ou amarelo podem fazer a diferença.

Gisele Taranto aposta nos tons de azul para criar experiência sensorial. Créditos: Denilson Machado
No espaço Futuros Possíveis da Peugeot (Gisele Taranto), o azul é usado de forma estratégica e repetitiva – no veículo, na arte digital e na instalação tridimensional – gerando um forte efeito de color priming que reforça a memória da marca.
Processamento Preditivo e Hierarquia Perceptiva: Guiando o Olhar
A organização espacial e cromática na CASACOR otimiza o processamento preditivo visual. A Escalada Brasileira, da OHMA Arquitetura, é um exemplo notável, com seus três níveis cromáticos (terrosos, vermelhos/rosas e tons de azul/verde) que não apenas orientam a locomoção física, mas também direcionam a expectativa cognitiva e a resposta emocional.

Escalada Brasileira traz ascensão emocional no projeto em 3 etapas. Créditos: Camila Santos
Solução Prática: Essa é uma técnica excelente para guiar o fluxo em sua casa. Cores mais claras ou vibrantes podem destacar um ponto focal ou o início de um percurso, enquanto cores mais escuras ou neutras podem criar áreas de transição. Pense em como você pode usar uma sequência de cores para levar o olhar do visitante por um corredor ou para dentro de um cômodo específico, criando uma narrativa visual em seu próprio lar.
Materiais, Acabamentos e Neuroestética: A Experiência Tátil Importa
A materialidade é uma ferramenta de estímulo multissensorial. A Casa Cosentino (Romário Rodrigues) explora a textura visual e tátil de superfícies, criando experiências sinestésicas. O projeto LE TT (Otto Felix) usa madeira, texturas aveludadas e iluminação âmbar para promover aconchego e introspecção.

Le TT une madeira, texturas aveludadas e iluminação âmbar para promover percepções de aconchego, introspecção e sociabilidade. Créditos: MCA Studio
Solução Prática: Não tenha medo de explorar texturas! Combinar diferentes materiais como madeira, tecidos aveludados, pedras ou até mesmo papéis de parede texturizados pode enriquecer a experiência em qualquer ambiente. Uma manta de tricô no sofá, um tapete felpudo no quarto ou uma parede com revestimento rústico são exemplos simples de como estimular o tato e a visão, adicionando camadas de conforto e interesse visual.
Paletas Biofílicas: Conexão com a Natureza
Verdes, terrosos e azuis dominam ambientes como Trilha Onírica (Traço 8 Arquitetura), Casa Viva (Henrique Freneda), Jardim da Alameda (Catê Poli e João Jadão), Jardim de Inverno (Fernanda Zulzke) e Sopro (Beatriz Quinelato). Essas cores, que remetem à natureza, comprovadamente reduzem o cortisol e aumentam o bem-estar, criando “Restorative Environments”.

Fernanda Zulzke aposta em biofilia para o design cromático. Créditos: Site Casacor oficial
Solução Prática: Para trazer a biofilia para sua casa, invista em paletas de cores inspiradas na natureza. Use tons de verde em paredes ou acessórios, combine com madeiras claras e fibras naturais. Adicione plantas, claro! Mesmo pequenos detalhes como almofadas com estampas botânicas ou objetos de decoração em tons terrosos podem transformar seu espaço em um verdadeiro refúgio restaurador.
Tendências de Mercado e Dopamine Decor: A Alegria nas Cores
O Recanto de Histórias e Cores (Daniela Funari) exibe a influência da Dopamine Decor, com cores saturadas e contrastantes que estimulam a atenção. Na Casa Brastemp (Studio Roca), o laranja e o marsala reforçam a identidade da marca através de uma estratégia cromática de branding sensorial.

Studio Roca trouxe laranja e marsala para a Casa Brastemp. Créditos: Israel Gollino
Solução Prática: Se você busca dinamismo e alegria em um ambiente, a Dopamine Decor é para você! Não precisa pintar todas as paredes de cores vibrantes. Pequenos pontos de cor saturada, como um sofá laranja, almofadas coloridas, ou uma obra de arte vibrante, podem injetar energia e personalidade ao espaço, estimulando a atenção e o bom humor.
O Resgate Afetivo e Memória Cultural: Uma Viagem no Tempo
O Estúdio Theodoro (Felipe Carolo) destaca-se pela curadoria cromática que transita entre a afetividade histórica e a sensibilidade material. A paleta de verdes, amarelos, marrons e azuis, inspirada no filme “Ainda estou aqui”, evoca os anos 1970, ativando a memória emocional coletiva.

Curadoria cromática de Felipe Carolo desperta afetividade histórica. Créditos: Site oficial Casacor
Solução Prática: Para criar um ambiente com memória afetiva, resgate cores, texturas e objetos que remetam a épocas ou experiências especiais para você. Quadros antigos, móveis de família ou uma paleta de cores inspirada em uma fotografia antiga podem transformar um espaço em um cápsula do tempo emocional, gerando conforto e nostalgia.
Conforto Multissensorial: Harmonizando os Sentidos
“O Respiro” (Luciana Moreno) é uma síntese de CMF e Neurociência. Tons terrosos, areia e azuis aquáticos remetem à natureza, ativando a memória afetiva cromática. A textura porosa e granulada das paredes amplia o repertório tátil, promovendo o “efeito de conexão tátil com a natureza”. Já a Casa de Novela (Gabriel Fernandes) usa tons claros e azuis suaves para construir uma atmosfera de memória afetiva e delicadeza, com a fórmica em carvalho americano nas vigas reforçando a experiência tátil indireta.

Azuis suaves para trazer delicadeza e atmosfera de memória afetiva no projeto de Gabriel Fernandes. Créditos: Denilson Machado
Solução Prática: Pense em como você pode usar uma combinação de cores e texturas que remetam a elementos naturais para criar um ambiente de puro conforto. Cortinas leves que simulam a brisa, tapetes que parecem grama, e superfícies que convidam ao toque, mesmo que visualmente, são estratégias que ampliam a sensação de bem-estar.
Percepção Temporal: Quando o Tempo Desaparece
O Hall Raízes (Renzo Cerqueira) utiliza um azul vibrante e profundo, criando um fenômeno interessante de percepção temporal não-linear. Nesse ambiente, a noção do tempo pode ser distorcida, com a sensação de que ele passa mais rápido ou mais devagar, ou até mesmo a suspensão temporária do tempo, o que a Dra. Holland chama de “flow state”.

Escolhas de Renzo Cerqueira reforçam protagonismo da cor como agente espacial. Créditos: Camila Santos
Solução Prática: Quer criar um espaço onde a mente relaxa e a noção de tempo se dissolve? Ambientes com cores profundas e envolventes, iluminação suave e poucas distrações visuais podem ajudar. Pense em um cantinho de leitura com uma poltrona confortável e uma paleta de cores que promova a introspecção e a quietude.
Arquitetura e Ecologia: Consciente e Inspirador
“O Ninho”, de Marko Brajovic, explora a materialidade regenerativa, utilizando pinus de reflorestamento e plástico reciclado. Mais do que sustentável, essa escolha reforça a sensação de pertencimento à economia circular, com texturas naturais que favorecem o engajamento tátil e visual. O espaço evoca o conceito de “Prospect-Refuge”, criando um jogo de esconde-revela que convida à exploração e à contemplação, promovendo uma ruptura com estímulos urbanos ruidosos e induzindo um estado de foco.
Solução Prática: Integrar a ecologia e a sustentabilidade em sua decoração é uma escolha inteligente e inspiradora. Opte por móveis de madeira certificada, tecidos de fibras naturais, e objetos feitos de materiais reciclados. Além de contribuir para o meio ambiente, esses elementos trazem uma sensação de autenticidade e conexão com a natureza para o seu lar.
CASACOR São Paulo 2025 – Onde: Parque da Água Branca, Rua Dona Ana Pimentel, 37
Foto de capa: Loft Alvorá Fotos: MCA estúdio/ Divulgação / Escritório: Paula Neder / Localização: CasaCor SP / Área: 72m²
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