Você já ouviu falar nesses termos “Cureted Calm” e “Neo-Japandi”? Muito utilizados nos países europeus e nos EUA, eles estão ressignificando alguns conceitos do morar. Se nos últimos anos o minimalismo parecia sinônimo de salas esterilizadas, brancas e desprovidas de alma, a nova onda da arquitetura de interiores aponta para a direção oposta.
Será que a calma realmente cura? Será que o estilo Neo-Japandi (a fusão entre a estética japonesa e o conforto escandinavo) realmente veio para ficar? O que vejo é que esses movimentos aparecem por aqui também e propõem uma redução consciente de excessos sem abrir mão do calor e da afetividade.
A proposta não é viver numa casa vazia ou maximalista em tendências, mas em um ambiente onde cada peça tem propósito, história e textura. Estamos com o sensorial aflorado e queremos sentir acolhimento da casa como se cada peça ali realmente nos abraçasse.
Na prática, precisamos desentulhar e evitar o acúmulo de coisas que não utilizamos mais.
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O que sai: Plásticos expostos, excesso de pequenos objetos decorativos sem valor sentimental espalhados por prateleiras, cabos à vista e móveis de baixa qualidade.
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O que fica e ganha destaque: Peças artesanais de cerâmica (wabi-sabi), livros de arte ou leitura real, itens de coleção e de valor sentimental, madeira com marcas do tempo e móveis com linhas limpas e funcionais.
A arte das camadas táteis: Como aquecer o espaço limpo
O segredo para um ambiente desintoxicado não parecer frio está no contraste de texturas. Quando você remove o excesso de objetos, as superfícies passam a ser os elementos decorativos principais:
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Paredes e Estrutura: Troque a tinta branca plana por acabamentos de gesso mineral, cal ou textura monomassa suave. A sutil variação da luz sobre a parede cria profundidade sem precisar de quadros excessivos.
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Mobiliário: Mescle superfícies lisas com a rusticidade da palha natural (como a clássica palhinha brasileira), madeira escura envelhecida (nogueira ou freijó escurecido) e detalhes em pedra bruta ou cerâmica artesanal.
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Têxteis: Use cortinas fluídas de linho puro do piso ao teto para filtrar a luz natural e tapetes de algodão cru ou lã com tramas marcadas. Os orgânicos continuam em alta.
Minimalismo e personalidade no projeto de 158 m² da Quattrino Arquitetura
Um exemplo prático de como traduzir essa filosofia no Brasil é o apartamento de 158 m² assinado pela arquiteta Vanessa Ribeiro, do escritório Quattrino Arquitetura (com fotos de Mariana Orsi).
Inspirado diretamente pelo estilo Japandi, o projeto demonstra como a combinação perfeita de cores, materiais e organização garante um lar fluido, funcional e perfeitamente adaptado à rotina e aos hobbies da família (o casal e sua filha pré-adolescente).

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Integração e Fluidez: O living atua como o ponto central e de conexão do apartamento. De um lado, a cozinha pode ser integrada ou reservada por uma porta embutida. Do outro, uma estante desenhada sob medida acomoda os livros, o teclado e os objetos afetivos da família, integrando no seu centro o acesso discreto à área íntima.
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Estética com Identidade: “A família queria uma morada que promovesse momentos compartilhados, equilibrando uma estética leve com a riqueza de elementos que trazem identidade ao espaço”, explica Vanessa Ribeiro.
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