“Curated Calm” e Neo-Japandi: Como desentulhar a casa e criar um refúgio acolhedor sem parecer um hospital

Você já ouviu falar nesses termos “Cureted Calm” e “Neo-Japandi”? Muito utilizados nos países europeus e nos EUA, eles estão ressignificando alguns conceitos do morar. Se nos últimos anos o minimalismo parecia sinônimo de salas esterilizadas, brancas e desprovidas de alma, a nova onda da arquitetura de interiores aponta para a direção oposta.

Será que a calma realmente cura? Será que o estilo Neo-Japandi (a fusão entre a estética japonesa e o conforto escandinavo) realmente veio para ficar? O que vejo é que esses movimentos aparecem por aqui também e propõem uma redução consciente de excessos sem abrir mão do calor e da afetividade.

A proposta não é viver numa casa vazia ou maximalista em tendências, mas em um ambiente onde cada peça tem propósito, história e textura. Estamos com o sensorial aflorado e queremos sentir acolhimento da casa como se cada peça ali realmente nos abraçasse. 

Na prática, precisamos desentulhar e evitar o acúmulo de coisas que não utilizamos mais.

  • O que sai: Plásticos expostos, excesso de pequenos objetos decorativos sem valor sentimental espalhados por prateleiras, cabos à vista e móveis de baixa qualidade.

  • O que fica e ganha destaque: Peças artesanais de cerâmica (wabi-sabi), livros de arte ou leitura real, itens de coleção e de valor sentimental, madeira com marcas do tempo e móveis com linhas limpas e funcionais.

A arte das camadas táteis: Como aquecer o espaço limpo

O segredo para um ambiente desintoxicado não parecer frio está no contraste de texturas. Quando você remove o excesso de objetos, as superfícies passam a ser os elementos decorativos principais:

  1. Paredes e Estrutura: Troque a tinta branca plana por acabamentos de gesso mineral, cal ou textura monomassa suave. A sutil variação da luz sobre a parede cria profundidade sem precisar de quadros excessivos.

  2. Mobiliário: Mescle superfícies lisas com a rusticidade da palha natural (como a clássica palhinha brasileira), madeira escura envelhecida (nogueira ou freijó escurecido) e detalhes em pedra bruta ou cerâmica artesanal.

  3. Têxteis: Use cortinas fluídas de linho puro do piso ao teto para filtrar a luz natural e tapetes de algodão cru ou lã com tramas marcadas. Os orgânicos continuam em alta.

    Minimalismo e personalidade no projeto de 158 m² da Quattrino Arquitetura

    Um exemplo prático de como traduzir essa filosofia no Brasil é o apartamento de 158 m² assinado pela arquiteta Vanessa Ribeiro, do escritório Quattrino Arquitetura (com fotos de Mariana Orsi).

    Inspirado diretamente pelo estilo Japandi, o projeto demonstra como a combinação perfeita de cores, materiais e organização garante um lar fluido, funcional e perfeitamente adaptado à rotina e aos hobbies da família (o casal e sua filha pré-adolescente).

    • Integração e Fluidez: O living atua como o ponto central e de conexão do apartamento. De um lado, a cozinha pode ser integrada ou reservada por uma porta embutida. Do outro, uma estante desenhada sob medida acomoda os livros, o teclado e os objetos afetivos da família, integrando no seu centro o acesso discreto à área íntima.

    • Estética com Identidade: “A família queria uma morada que promovesse momentos compartilhados, equilibrando uma estética leve com a riqueza de elementos que trazem identidade ao espaço”, explica Vanessa Ribeiro.

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Maria Cláudia Aravecchia Klein

Maria Cláudia é jornalista, mentora de Marketing de Conteúdo e especialista em Casa & Decor. Atua com publieditoriais, consultorias e produção de conteúdo desde 1997. Fundadora da Revista Vida Prática, é colunista em portais do setor e referência em conectar marcas ao público com autenticidade e propósito.