Mostra independente ocupa o Edifício Cotonifício com instalações imersivas, street art contemporânea e experiências coletivas que ressignificam o centro da capital paulista
O Centro de São Paulo ganha um novo capítulo no circuito cultural e criativo da cidade com a segunda edição da mostra Para Falar de Amor, que inaugura em 7 de maio no histórico Edifício Cotonifício, no Largo do Paissandú. A exposição ocupa o edifício até 7 de junho, sempre de sexta a domingo, das 13h às 19h, transformando o espaço em um grande laboratório de arte urbana contemporânea, onde criação, convivência e intervenção artística acontecem simultaneamente.
Com curadoria de Saulo di Tarso e Kauê Fuoco, e realização da plataforma Kura, a mostra inaugura oficialmente o novo espaço cultural da iniciativa, consolidando uma proposta independente e colaborativa que vem ganhando destaque no cenário da arte contemporânea paulistana. Sem patrocínio e sem fins lucrativos, o projeto aposta na ocupação artística como ferramenta de transformação urbana e social.
Instalada em um edifício em processo de ressignificação, a exposição propõe uma experiência imersiva que ultrapassa o modelo tradicional de galeria. Ateliês abertos, instalações site-specific, intervenções urbanas e obras em constante construção aproximam artistas e público em uma dinâmica viva de troca e experimentação. “A ideia nasce da ocupação como gesto criativo, trabalhando dentro das condições existentes e criando um ambiente de liberdade”, afirma Saulo di Tarso.

A nova edição nasce como desdobramento conceitual da mostra anterior e se estrutura a partir de uma pergunta central: “Do que somos capazes?”. O questionamento conduz a narrativa curatorial e amplia a reflexão sobre afeto, pertencimento, coletividade e reconstrução de vínculos em tempos marcados por tensões sociais. Diferente da edição anterior, marcada por silêncio e introspecção, esta fase aposta na ativação intensa do espaço e das vozes artísticas.
O edifício escolhido também desempenha papel fundamental na narrativa da exposição. Localizado em uma das áreas mais simbólicas do Centro de São Paulo, o antigo Cotonifício carrega memórias da atividade industrial, da ocupação urbana e das constantes transformações sociais da cidade. A mostra utiliza justamente essas camadas históricas como matéria-prima para criar novas conexões entre arte, arquitetura e vida urbana.
Ao todo, a exposição reúne 27 ocupações artísticas desenvolvidas especialmente para o espaço, apresentando um panorama potente da street art contemporânea brasileira e latino-americana. Entre os destaques estão Bruna Serifa, conhecida por transformar palavras em murais vibrantes e coloridos; Haroldo Paranhos Neto, que atua no cruzamento entre arte, urbanismo e instalações imersivas; Alexandre Vianna, com pesquisas voltadas à fotografia expandida; e Felipe Yung, referência do graffiti paulistano desde os anos 1990.

Saulo di Tarso e Kauê Fuoco – Foto: Vivian Bera
A mostra também promove um diálogo entre gerações da arte urbana latino-americana ao reunir nomes históricos e artistas contemporâneos. Um dos destaques é a participação de Jaime Prades, considerado um dos pioneiros da arte de rua paulistana, ao lado das imagens da fotógrafa Vivian Bera, realizadas no Peru e centradas nas manifestações populares ligadas à festa de Nossa Senhora do Carmo. O encontro entre essas diferentes linguagens amplia a discussão sobre o conceito de arte urbana na América Latina e reforça a rua como território ancestral de criação.
Outro destaque da exposição é a “Zona Neutra”, espaço experimental concebido como território aberto para ativações contínuas ao longo da mostra. Sem obras pré-definidas, o ambiente será transformado por artistas convidados e pelo próprio público, em um modelo de curadoria em processo que reforça o caráter orgânico e mutável do projeto.
Para Kauê Fuoco, a exposição reafirma a autonomia criativa como força motriz da produção cultural contemporânea. Segundo ele, o Kura nasce da crença de que é possível realizar grandes ocupações artísticas a partir da colaboração direta entre artistas, sem depender exclusivamente de incentivos externos. A proposta futura inclui residências artísticas, novos projetos culturais e iniciativas voltadas à revitalização urbana do centro paulistano.
Mais do que uma exposição, Para Falar de Amor se apresenta como um manifesto sobre pertencimento, criação coletiva e reinvenção da cidade — uma experiência que transforma o Edifício Cotonifício em símbolo pulsante da nova cena criativa de São Paulo.
Foto de capa: Vivian Bera
Serviço – Exposição “Para falar de amor” – 2ª edição
Abertura: 7 de maio de 2026 (quinta-feira), a partir das 13h
Período de visitação: De 7 de maio a 7 de junho de 2026
Horário: De sexta a domingo, das 13h às 19h
Local: Edifício Cotonifício, Largo do Paissandú, s/nº – Centro São Paulo (SP)
Sobre Saulo di Tarso: Saulo di Tarso é artista visual e curador, especializado em estética comparada das artes visuais e da música moderna e contemporânea, arte urbana e novas mídias. Pesquisador de arte brasileira e sul-americana, colabora com diversas instituições de arte e cultura na América Latina. Além de ser ensaísta, museógrafo, produtor e arte-educador, coordenou espaços expositivos e programas de arte-educação, incluindo a Casa das Rosas e o Paço das Artes.Também atuou como curador em importantes instituições como o Museu Afro Brasil, a Casa do Olhar Luis Sacilotto, a Galeria da Unicamp e idealizador e curador da mostra Joaquín Torres García – 150 anos, em colaboração com o Museu Torres García.
Sobre Kauê Fuoco: Produtor cultural, artista plástico e empreendedor, Kauê Fuoco é o idealizador do Kura, empresa que atua e transforma o mercado com eventos, arte, curadoria e marketing para marcas/empresas. Além disso, produz experiências itinerantes proprietárias que unem entretenimento, cultura, arte e gastronomia, de uma forma lúdica, buscando agregar para a cidade e para a comunidade por meio do upcycle e da revitalização urbana. Kauê é um entusiasta de histórias, propõe resgates culturais e urbanos reintegrando narrativas, espaços e materialidades. Em seus projetos une cultura, arte, sustentabilidade e entretenimento, criando ecossistemas sólidos e rentáveis de negócio.
Sobre o Kura: O Kura é uma plataforma de experiências, idealizada por Kauê Fuoco, que combina eventos, arte, curadoria e marketing para marcas e empresas, promovendo entretenimento e cultura por meio de eventos itinerantes e projetos de revitalização urbana. Com foco em upcycling e narrativa lúdica, busca ressignificar e reintegrar pessoas à cultura. A empresa opera em duas frentes: criação de experiências autorais e instalações artísticas para eventos próprios, e desenvolvimento de experiências personalizadas e estratégias de posicionamento para empresas.
Instagram: @kura.te