“Florescer Origens: CCBB recebe ocupação que celebra ancestralidade através da arte, música, sabores e presença”

Em novembro, mês em que o Brasil volta seus olhos para a Consciência Negra, o CCBB Educativo – Arte e Cultura apresenta uma programação especial que transforma seus espaços em plataforma viva de celebração, troca e reconhecimento das raízes afro-brasileiras. O projeto Ocupação Preta: Florescer Origens ocupa o centro cultural ao longo do mês, promovendo uma experiência sensorial que atravessa o olhar, o corpo e o território, reunindo música, dança, debates e ações culinárias, com participação de artistas internacionais e coletivos que integram memória, ancestralidade e criação contemporânea.

Mais do que uma agenda cultural, a Ocupação propõe refletir sobre identidade e pertencimento, reforçando a potência da arte como elemento espacial e social. Sob a perspectiva das diásporas africanas e das brasilidades plurais, a programação é inteiramente gratuita e coloca em evidência expressões que reverberam afetos, ritmos e narrativas de resistência. Performances vocais, rodas de samba integradas exclusivamente por mulheres, apresentações coreográficas com raízes nas tradições sul-africanas e experimentações sonoras marcam a atmosfera do projeto, em sintonia com a proposta de revisitar e honrar repertórios culturais que sustentam parte essencial da estética e da sensibilidade brasileira.

No campo das ideias, rodas de conversa com lideranças culturais, pesquisadoras, arte-educadoras e coletivos periféricos promovem debates sobre racismo ambiental, agroecologia, memória, espiritualidade e soberania alimentar, revelando o impacto do território na constituição da vida, do corpo e do imaginário coletivo. Já na dimensão gastronômica, encontros culinários conduzem o público a vivenciar sabores como narrativas, aproximando alimento, cuidado e resistência. Ao criar um ambiente de convivência e troca, a Ocupação Preta: Florescer Origens reafirma a arte como lugar de encontro, reconhecimento, afirmação e futuro compartilhado.

Música
Apresentação com Indiana Nomma
Dia: 15/11. Das 13h às 14h
Local: Rotunda
A cantora Indiana Nomma interpretará obras de divas do Jazz, como Billie Holiday. Nascida em Honduras, filha de pai baiano e mãe gaúcha exilados na década de 60, Indiana Nomma cresceu no México, Portugal, Nicarágua e Alemanha Oriental. Aos 8 anos de idade, começou a estudar canto erudito e aos 13, piano. Já no Brasil, explorou o canto coral e o teatro.
Indianna Nomma
Apresentação com ImpossibleOdds e The Odds Band
Dia: 15/11. Das 15h às 16h30
Local: Rotunda
Apoiado por sua banda de apoio “The Odds Band”, Andy Blanc traz ao mundo um estilo único influenciado pelo jazz, com raízes no hip-hop clássico da era de ouro. O músico, mais conhecido como “The Odds”, é natural do Brooklyn e criador do raro estilo “ImpossibleOdds Gentleman Hip-Hop”, um gênero musical único que exala letras profundas e significativas em batidas novas e nítidas que exalam um som de arte sofisticada.
Brasilidades – com Paulla Zeferino
Dia: 16/11. Das 13h às 14h
Local: Rotunda
Paulla se destaca em três projetos diferentes: arte educadora, oficineira, colaboradora do coletivo Forró das Minas, em que celebra as raízes do forró pé de serra e a potência da mulher, trazendo alegria e orgulho à cultura nordestina.
Brasilidades – com Samba de Dandara
Dia: 16/11. Das 15h às 16h30
Local: Rotunda
Samba de Dandara é uma roda de samba com mais de 10 anos de trajetória, composta exclusivamente por mulheres.
Samba de Dandara
Africanidades – com Lenna Bahule
Dia: 20/11. Das 15h às 16h30
Local: Rotunda
Cantora multi-artista, arte-educadora e ativista cultural, nascida em Maputo, Moçambique, Lenna Bahule é conhecida pelo seu alcance vocal e sons rítmicos que misturam sons tradicionais indígenas com sons contemporâneos de Moçambique e de outras culturas afro.
Lenna Bahule
Dança
Africanidades – com Gumbootdancebrasil
Dia: 20/11. Das 13h às 14h
Local: Rotunda
Grupo de Gumboot Dance no Brasil, criado em 2008 pelo coreógrafo e diretor Rubens Oliveira, surgiu nas minas sul-africanas. Os homens que ali trabalhavam encontraram nos ritmos das suas botas uma forma de se comunicar, de expressar suas dores e celebrar seus raros momentos de alegria.
Debates e Rodas de Conversa – Encontros e debates sobre racismo ambiental
Encontro com Instituto de Estudos e Pesquisas Ilê Axé Omo Nanã
Dias: 12, 13 e 14/11. Das 15h às 16h30
Local: Rotunda
O Instituto de Estudos e Pesquisas Ilê Axé Omo Nanã é composto por pessoas negras, em sua maioria mulheres e nasce para salvaguardar e defender as tradições em matriz africana e o enfrentamento ao racismo religioso, sem fins lucrativos. Foi idealizado pela Iyalorixá Adriana de Nanã, grande referência em estudos tradicionais afrobrasileiros.
12/11 – Agricultura urbana: um resgate ancestral para a proteção do território
Ministrantes: Helen Souza e João Andrade
A agricultura urbana é um ato de resistência e de retomada das raízes ancestrais que conectam comunidade e território. Mais do que produzir alimento, ela reafirma o direito à terra, à soberania alimentar e ao cuidado com o ambiente urbano.
Nesse movimento, cultivar é também proteger — resgatar memórias, fortalecer identidades coletivas.
13/11 – Saberes germinados: agroecologia feminista periférica e a conexão com o sagrado
Ministrantes: Juliana Vieira e Sabrina Kelly Vicente
Essa abordagem propõe refletir sobre como a agroecologia feminista periférica nasce da resistência e do cuidado coletivo. Valoriza os saberes tradicionais das mulheres e a construção de práticas sustentáveis e justas. Convida, ainda, a uma reconexão com o sagrado, reconhecendo a terra como espaço de vida e transformação.
14/11 – Reflexões sobre adaptação climática: direitos das comunidades tradicionais e o papel da matriz africana para debates contemporâneos
Ministrantes: Iyá Adriana de Nanã e Matheus Santos
O diálogo que promovemos propõe olhar atento sobre questões caras à contemporaneidade, como soberania alimentar, adaptação
climática, preservação de saberes, tradições e direitos das comunidades, abordando os cuidados necessários com os territórios e comunidades, preservando a memória e a sabedoria proveniente da oralidade e do repertório intelectual oriundo de África e da matriz africana, incentivando práticas que unem ancestralidade, inovação, justiça social e, nas abordagens entre arte e cultura.
Encontro com Coletivo Criação
Dias: 17 e 19/11. Das 15h às 16h30
Local: Rotunda
O Coletivo Criação nasceu a partir do olhar de 7 jovens moradores da zona norte do Rio de Janeiro, a partir do cenário da pandemia. O principal objetivo é assegurar direitos de crianças, jovens e adolescentes de favelas e periferias cariocas e potencializar sonhos, a fim de reduzir as desigualdades e ampliar as oportunidades.
17/11 – Programa Sabores e Saberes de Cria: Segurança alimentar como ato de justiça climática 
A fome tem rosto, cor e história. Nas favelas e periferias, alimentar é resistir. O programa Sabores e Saberes de Cria mostra que segurança alimentar importa não só como comida na mesa, mas como direto básico da vida. Aproveitamento de alimentos, compartilhar receitas, transformar o pouco em muito é ancestralidade e cuidado. Promover segurança alimentar é também agir pela justiça climática, combatendo o desperdício, entendendo que os impactos das mudanças climáticas chegam até nossa mesa e fortalecendo vínculos comunitários. Neste encontro serão debatidas questões de segurança alimentar e reflexões sobre a valorização dos saberes alimentares sociais e ancestrais.
19/11 – Corpo, Clima e Resistência: Encruzilhadas do viver preto
Ser corpo preto também é ser território. Os saberes ancestrais ensinam o equilíbrio, o sagrado, a força e a valorização da terra. Neste encontro celebramos o viver preto como ato ecológico e político.  O axé, a arte e a fé nos sustentam diante das crises sociais e climáticas.
Ação Culinária
Encontro com a chef Cintia Sanchez
Dias: 15, 16 e 20/11. Das 14h às 15h
Local: Mezanino
A insegurança alimentar no Brasil é marcante e o trabalho de Cintia Sanchez se destaca, por meio da entrega de comida à população de rua, num projeto que mescla solidariedade e gastronomia.
CCBB EDUCATIVO ARTE E CULTURA
O projeto CCBB Educativo – Arte e Cultura, parte integrante do Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo, tem como missão proporcionar uma experiência inclusiva e diversificada aos públicos visitantes, conectando-os de maneira mais profunda com as exposições e a programação cultural oferecida.
O programa visa expandir o conhecimento, fomentar o pertencimento, estimular a interação e compartilhamento em arte e cultura, além de formar um público engajado por meio da apreciação e reflexão artística. Por meio de mediação, a criação de ações autorais, debates sociais, e a adaptação às necessidades e vivências do público, o projeto busca promover um ambiente acolhedor e representativo, estimulando a criatividade e expressão pessoal por meio de oficinas de arte e atividades interativas.
Local: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro Histórico – SP
Funcionamento: Aberto todos os dias, das 9h às 20h, exceto às terças
Entrada acessível: Pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e outras pessoas que necessitem da rampa de acesso podem utilizar a porta lateral localizada à esquerda da entrada principal.
Informações: (11) 4297-0600
Estacionamento: O CCBB possui estacionamento conveniado na Rua da Consolação, 228 (R$ 14 pelo período de 6 horas – necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB). O traslado é gratuito para o trajeto de ida e volta ao estacionamento e funciona das 12h às 21h.
Transporte público: O CCBB fica a 5 minutos da estação São Bento do Metrô. Pesquise linhas de ônibus com embarque e desembarque nas Ruas Líbero Badaró e Boa Vista.
Táxi ou Aplicativo: Desembarque na Praça do Patriarca e siga a pé pela Rua da Quitanda até o CCBB (200 m).
Van: Ida e volta gratuita, saindo da Rua da Consolação, 228. No trajeto de volta há uma parada no metrô República e ponto final no estacionamento. Das 12h até o fim das atividades no CCBB, sob demanda.
 
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Maria Cláudia Aravecchia Klein

Maria Cláudia é jornalista, mentora de Marketing de Conteúdo e especialista em Casa & Decor. Atua com publieditoriais, consultorias e produção de conteúdo desde 1997. Fundadora da Revista Vida Prática, é colunista em portais do setor e referência em conectar marcas ao público com autenticidade e propósito.