Na Bienal de Arquitetura Brasileira 2026, um dos projetos mais sensíveis e imersivos chama a atenção ao traduzir o litoral nordestino em arquitetura contemporânea. Instalado no Pavilhão das Culturas Brasileiras, o espaço “É o Mar”, assinado pela arquiteta Larissa Lima, transforma o modo de morar em uma experiência sensorial que une afeto, território e clima.

Representando o Ceará entre os 28 pavilhões estaduais da mostra, a chamada Casa de Maria ocupa 100 m² e recria uma residência completa — com varanda, salas integradas, cozinha, escritório, suíte e área de serviço. O visitante percorre o ambiente como quem atravessa uma casa real, envolvido por uma atmosfera que privilegia luz natural, ventilação e materiais orgânicos.

A proposta parte de um conceito simples e potente: traduzir o mar em arquitetura. Ambientes claros, fluidos e acolhedores evocam a brisa, o ritmo desacelerado e a luminosidade suave do litoral. Elementos simbólicos reforçam essa narrativa, como a rede em fibra natural, que resgata o fazer artesanal, e o escritório elevado inspirado na jangada, criando a sensação de leveza e suspensão no espaço.

O projeto também incorpora referências visuais e afetivas do Ceará em detalhes que contam histórias. Estampas com ícones como sol, peixe, lamparina, jangada e coração aparecem como signos da cultura local, reforçando a hospitalidade e a identidade do povo cearense.
Além da estética, a casa aposta em soluções bioclimáticas, como ventilação cruzada, sombreamento e uso de materiais naturais, promovendo conforto térmico e sustentabilidade. A curadoria de acabamentos valoriza a produção regional, com cerâmicas artesanais, madeira e fibras naturais que dialogam com o território.

Outro destaque é a presença de peças autorais e obras de artistas e designers brasileiros, que ampliam a narrativa do projeto e conectam arquitetura, arte e economia criativa. Muitas dessas produções são conduzidas por mulheres, reforçando o conceito por trás do nome Casa de Maria — uma homenagem às mulheres cearenses e ao papel essencial que desempenham na construção do lar.

Mais do que uma instalação expositiva, “É o Mar” propõe uma reflexão contemporânea sobre o habitar. Ao levar para a Bienal uma arquitetura que nasce do contexto climático, social e cultural, Larissa Lima apresenta um novo olhar sobre a casa brasileira: mais sensível, conectada à natureza e profundamente enraizada em suas origens. Aqui, morar deixa de ser apenas ocupar um espaço e passa a ser, sobretudo, sentir.

Fotos: Felipe Petrovsky
Bienal de Arquitetura Brasileira – BAB 2026
Local: PACUBRA – Pavilhão das Culturas Brasileiras, Parque Ibirapuera – São Paulo (SP), Portão 10
Período: 25 de março a 30 de abril de 2026 – 12h às 21h
Projeto: É o Mar
Arquitetura: Larissa Lima – ARK Arquitetura & Interiores